Focada na redução de resíduos, a startup pernambucana Roda destaca-se no
segmento de upcycling de produtos têxteis no estado e no país. Comandada
por Manu Moreira e Mariana Amazonas, a marca começou a ser idealizada
em 2019 na tentativa de contrapor números alarmantes do setor da moda, que
amarga o segundo lugar entre as indústrias mais poluentes, sendo responsável
por 20% da poluição de rios e uma das maiores consumidoras de água.
“Nunca tínhamos trabalhado com moda. Pesquisamos sobre a relação da
indústria com o meio ambiente, nos aprofundamos e nos aproximamos do
setor. E aí surgiu a ideia de criar a Roda e trazer um outro olhar sobre a
moda”, conta a cofundadora Manu Moreira. Segundo ela, a ideia era produzir
uma moda a partir de outra que já tinha sido feita, promovendo um impacto
social e trazendo sustentabilidade por meio do design circular.
“Em vez de um modelo linear, onde desenhamos um projeto para depois
construí-lo, na Roda temos acesso à matéria-prima e só depois pensamos o
que ela nos permite recriar”, explica. A marca iniciou suas atividades
produzindo roupas a partir de outras roupas de clientes ou de retalhos de lotes
de tecidos fora do padrão de qualidade.
Em 2020, a empresa fechou parceria com a Stellantis Latam/Jeep para
transformar em moda os resíduos da indústria automotiva de Goiana, cidade
pernambucana ao Norte da Região Metropolitana do Recife. Desde então, os
resíduos viram mochilas, bolsas, sandálias, necessaires, vestuário e objetos de
decoração. Tudo isso com design inovador utilizando como matérias-primas
couro de bancos, borrachas, cintos de segurança e até airbags. Nestes dois
anos, das dez toneladas de resíduos da Jeep já foram fabricados mais de 6 mil
produtos.
Paralelamente, a marca tem realizado parcerias com outras indústrias de
diversos segmentos para formar grupos e projetos na área de moda sustentável
e upcycling, que resultam em peças de moda, brindes corporativos e ações
socioambientais. São iniciativas que utilizam materiais como cortinas, lonas
de pipas parapentes e outros resíduos.
Entre 90% e 95% do material usado nas peças criadas pela Roda são
reciclados. O restante é de material novo. “Acreditamos que as grandes
revoluções acontecem a partir de microrrevoluções. Nossas peças têm
propósito, afeto e design exclusivo”, diz Manu Moreira. A empresa possui oito funcionários fixos e faz várias contratações temporárias por projeto, realizando esporadicamente edições especiais assinadas por artistas locais.
MAPE E FENEARTE// Para a empresária, a estreia na maior feira de artesanato da América Latina – a
Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), em 2021, foi um passo
muito importante para o fortalecimento e projeção da marca. O início das
vendas na Loja de Moda Autoral de Pernambuco (Mape) – localizada no
Armazém 11, no Marco Zero do Recife, foi outro destaque positivo para a
Roda.
Tanto a Fenearte, como a loja Mape integram a política de incentivo à
economia criativa do Governo do Estado, executada pela Agência de
Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe). Na Mape, a Roda
divide espaço com outras grifes pernambucanas.
Além de vender na Mape, a Roda comercializa seus produtos pelo site
(www.roda.eco.br), pelo Instagram (@vem.pra.roda), e no ‘laboratório
pedagógico’ da marca, como as sócias denominam o Studio Roda – loja
própria da marca no bairro da Jaqueira, Zona Norte do Recife.
Os produtos da Roda ainda podem ser encontrados em vários espaços
colaborativos do Recife e de São Paulo. Apesar de ter recebido alguns
convites, a marca ainda não exporta seus produtos, mas a cofundadora revela
que o desejo para isso não falta.
Reportagem Patrícia Raposo




